Morte
Estou farto da cor dos teus olhos
O cansaço faz-me cair sobre os joelhos
Agarrando as ultimas flores da negra Primavera
Que morreram mal lhes toquei
Lá está o indivíduo que logo porá termo à vida
Vejo-lhe nos olhos a dor do esconder dos sentimentos
E o sorriso forçado para que ninguém desconfie
- Eu sou a corda com que se irá enforcar
Eu sou a corda que o fará descer sete palmos de terra
Antro de húmidos vermes que te irão reduzir a pó
Do teu corpo mumificado apenas observo
E observo com dor, os teus olhos
Vermelhos, rasgados pelo Bisturi que tenho nas mãos
- Eu sou o vampiro sanguinário
Que te suga o sangue em poucos segundos
Sinto o teu sangue ainda quente escorrer dentro de mim
Um jovem cambaleante
Carrega uma cruz de pau, pagão é o seu acto
Fá-lo por sua mãe, pobre criatura
Estupidificado pela Fé
- Eu sou quem queima a igreja da cidade
Eu sou quem vomita na presença de cristo
Eu sou a heresia consumada
Sou a morte, ossos cobertos pelo manto negro
David Freischuetz, 14/05/07
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jueves, 6 de septiembre de 2007
A FOTOGRAFIA
Fotografia
Uma fotografia é ilusória.
Retrata um momento para o infinito
Quando é um facto que,
Tal momento,
Esse momento,
Irá acabar, mais perto ou mais longe
Do disparo da máquina
Uma fotografia é uma prisão.
Não que prenda os movimentos mas,
Prende-nos num momento que
O tempo,
Esse tempo,
Faz dele passado...
Uma fotografia é vida
Quente, no queimar do rolo,
A vida da fotografia advém da
Força imprimida pelo indicador, onde
Acaba por criar, retratar o sentido
No papel, vivido...
Uma fotografia é morte.
Estagnação e prisão
No rectângulo, dito feliz,
Emoldura a vida na morte...
Uma fotografia é ilusória.
Retrata um momento para o infinito
Quando é um facto que,
Tal momento,
Esse momento,
Irá acabar, mais perto ou mais longe
Do disparo da máquina
Uma fotografia é uma prisão.
Não que prenda os movimentos mas,
Prende-nos num momento que
O tempo,
Esse tempo,
Faz dele passado...
Uma fotografia é vida
Quente, no queimar do rolo,
A vida da fotografia advém da
Força imprimida pelo indicador, onde
Acaba por criar, retratar o sentido
No papel, vivido...
Uma fotografia é morte.
Estagnação e prisão
No rectângulo, dito feliz,
Emoldura a vida na morte...
miércoles, 5 de septiembre de 2007
Vento
Hoje ao acordar disseram-me que o meu pai
Estava morto
Eu ainda ri, pensei que minha mãe estivesse a brincar
Mas não
A carta tinha a assinatura do general
Fora baleado na Potsdamer Platz
Berlim, cidade morta no pós-guerra
Só hoje, passados 45 anos tive coragem de calcar
A calçada onde meu pai deu o ultimo suspiro
O vento trouxe-me o som das armas e os gritos de dor
Dos soldados e do povo
Executados com um tiro na nuca...
Executaram-me logo ali, no meio da praça
Peço desculpa por não ter enviado qualquer carta
Durante a campanha mas,
David Freischuetz, meu filho
A guerra foi para mim uma escapatória
São já 57 os anos passados
Desde que minha mãe me acordou
Disse-me que o meu pai estava morto
Me fez rir
Ao primeiro impacto
Agora apenas os nomes na placa
O teu nome pai, na placa
David Freischuetz, 12/04/07
Hoje ao acordar disseram-me que o meu pai
Estava morto
Eu ainda ri, pensei que minha mãe estivesse a brincar
Mas não
A carta tinha a assinatura do general
Fora baleado na Potsdamer Platz
Berlim, cidade morta no pós-guerra
Só hoje, passados 45 anos tive coragem de calcar
A calçada onde meu pai deu o ultimo suspiro
O vento trouxe-me o som das armas e os gritos de dor
Dos soldados e do povo
Executados com um tiro na nuca...
Executaram-me logo ali, no meio da praça
Peço desculpa por não ter enviado qualquer carta
Durante a campanha mas,
David Freischuetz, meu filho
A guerra foi para mim uma escapatória
São já 57 os anos passados
Desde que minha mãe me acordou
Disse-me que o meu pai estava morto
Me fez rir
Ao primeiro impacto
Agora apenas os nomes na placa
O teu nome pai, na placa
David Freischuetz, 12/04/07
martes, 4 de septiembre de 2007
David Freischuetz
Despedida
As fotos são apenas
Retratos para esquecer
O sangue já não é sangue
Apenas algo que me faz ainda dar
Os últimos suspiros
Em forma de despedida antecipada
Esta carta escrita sobre a luz fraca dos candeeiros
Da estação dos caminhos de ferro, suja de mais
Herr Gluck acena-me da linha 1
Mal sabe ele, ser o ultimo a acenar-me...
Ontem...
O cheiro a óleo nas madeiras que prendem os trilhos
Estão retorcidos pelo passar do tempo
As lágrimas que se vertem sobre a folha
Tingindo o até agora escrito
São minhas
A vontade enorme de encontrar a liberdade
Nem que seja por um segundo
Mas fraco, fraco demais
Revendo o passado cada vez mais presente
O sonho cada vez mais ausente
A dar cada vez mais...
Eu mesmo
O jardim de árvores sussurrantes
Os passe-partouts carregados de doces sorrisos
Cada vez mais o abismo que se abre frente a mim
As veias sentem que estão perto do fim do seu trabalho
Morro triste e usado
Com os olhos vermelhos, a voz trémula
Que já nem eu ouço
Fim.
David Freischuetz, 04/09/07
As fotos são apenas
Retratos para esquecer
O sangue já não é sangue
Apenas algo que me faz ainda dar
Os últimos suspiros
Em forma de despedida antecipada
Esta carta escrita sobre a luz fraca dos candeeiros
Da estação dos caminhos de ferro, suja de mais
Herr Gluck acena-me da linha 1
Mal sabe ele, ser o ultimo a acenar-me...
Ontem...
O cheiro a óleo nas madeiras que prendem os trilhos
Estão retorcidos pelo passar do tempo
As lágrimas que se vertem sobre a folha
Tingindo o até agora escrito
São minhas
A vontade enorme de encontrar a liberdade
Nem que seja por um segundo
Mas fraco, fraco demais
Revendo o passado cada vez mais presente
O sonho cada vez mais ausente
A dar cada vez mais...
Eu mesmo
O jardim de árvores sussurrantes
Os passe-partouts carregados de doces sorrisos
Cada vez mais o abismo que se abre frente a mim
As veias sentem que estão perto do fim do seu trabalho
Morro triste e usado
Com os olhos vermelhos, a voz trémula
Que já nem eu ouço
Fim.
David Freischuetz, 04/09/07
Bocage (Estava muito à frente no seu tempo)
O Ciúme
Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume (1),
O carrancudo, o rábido (2) Ciúme,
Ensanguentadas as corruptas presas.
Traçando o plano de cruéis empresas,
Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
Vibra das fauces o letal cardume
De hórridos males, de hórridas tristezas.
Pelas terríveis Fúrias (3) instigado,
Lá sai do Inferno, e para mim se avança
O negro monstro, de áspides (4) toucado.
Olhos em brasa de revés me lança;
Oh dor! Oh raiva! Oh morte!... Ei-lo a meu lado
Ferrando as garras na vipérea (5) trança.
Bocage
--------------------------------
(1) Plutão, deus dos infernos.
(2) Raivoso, furioso
(3) Demónios do mundo infernal.
(4) Serpentes venenosas.
(5) De víbora
--------------------------------
Gosto deste poeta, faz-me reflectir, pois o ciume é o mal do mundo...Impede-nos de pensar com clareza, clarividência...Retira-nos a lucidez importante para outras batalhas e momentos...
Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume (1),
O carrancudo, o rábido (2) Ciúme,
Ensanguentadas as corruptas presas.
Traçando o plano de cruéis empresas,
Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
Vibra das fauces o letal cardume
De hórridos males, de hórridas tristezas.
Pelas terríveis Fúrias (3) instigado,
Lá sai do Inferno, e para mim se avança
O negro monstro, de áspides (4) toucado.
Olhos em brasa de revés me lança;
Oh dor! Oh raiva! Oh morte!... Ei-lo a meu lado
Ferrando as garras na vipérea (5) trança.
Bocage
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(1) Plutão, deus dos infernos.
(2) Raivoso, furioso
(3) Demónios do mundo infernal.
(4) Serpentes venenosas.
(5) De víbora
--------------------------------
Gosto deste poeta, faz-me reflectir, pois o ciume é o mal do mundo...Impede-nos de pensar com clareza, clarividência...Retira-nos a lucidez importante para outras batalhas e momentos...
viernes, 31 de agosto de 2007
Aquele POEMA
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta: Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide!
Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe.
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta: Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide!
Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe.
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!
JOSÉ RÉGIO
Este é sempre um poema que me faz vibrar e alegrar e pensar na vida
Todos temos que lutar por objectivos
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